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  • Albertina Camilo

Especial Frada dez anos. Mais conquistas que derrotas


Ana Rita durante palestra realizada em escola

Dez anos atrás, em junho de 2009, um grupo de pessoas deu início à Frada – Frente de Ação pelos Direitos Animais em Joinville. O propósito era fazer a diferença, atuando na raiz do problema para mudar a rotina de abandonos e maus-tratos. “Não está sendo fácil manter o sonho, mas as conquistas são muito maiores do que as derrotas”, afirma a atual presidente da ONG, Liliane Lovato.

O que significa atuar na “raiz” do problema? É definir suas causas principais para então agir, usando como base experiências bem-sucedidas, mas também inovando. Liliane e uma das fundadoras da Frada, Ana Rita Negrini Hermes, eleita vereadora em 2016, lembram que o início foi conturbado.

Isso porque, até então, atuar na causa animal significava apenas retirar animais abandonados e em sofrimento das ruas. “O fato de se tratar de um problema de saúde pública era totalmente ignorado”, afirma Liliane.

Centro de Bem-Estar Animal

Com a proposta de ser a voz dos animais, a Frada foi atrás de soluções. Começou, por exemplo, a frequentar a Câmara de Vereadores. Foi aos gabinetes e falou nas tribunas livres. Conseguiu chamar a atenção de alguns vereadores, principalmente quando a entidade passou a questionar abertamente a criação de um centro de zoonoses, que, na verdade, “seria um centro de extermínio de animais abandonados”, conta Liliane.

Em 2010, a ONG escreveu um projeto de lei e o entregou a um vereador, para a criação de um centro de bem-estar animal no lugar de um centro de zoonoses. Mas aprovar o projeto não foi suficiente. A Frada conseguiu a assinatura de mais de três mil pessoas e acionou o Ministério Público, que entrou com uma ação civil pública. Em abril de 2012, o então prefeito entregou à comunidade o Centro de Bem-Estar Animal (CBEA) - um espaço ainda muito precário, já com muitos animais em suas instalações, cuidados diariamente pela Frada e outros protetores.

Conscientização da comunidade

O trabalho da Frente de Ação pelos Direitos Animais não parou por aí. Atuar na raiz do problema, segundo Ana Rita, era muito mais do que fazer políticas públicas em prol dos animais. “Era preciso também envolver a população, fazê-la entender que ‘todos’ são responsáveis por eles. Mas como fazer essa conscientização? “Começamos a realizar palestras em escolas, faculdades e empresas”, responde Liliane.

A primeira palestra da Frada ocorreu em 2010, em uma igreja, para um grupo de crianças da catequese. Muitos outros encontros vieram. “Percebemos o quanto era necessário envolver a população, que era completamente avessa a essa ideia, pois acreditava que a responsabilidade era apenas da proteção animal e do poder público”, diz Liliane.

Uma das primeiras palestras realizadas pela Frada

O que é ser voluntário

No início das palestras, a equipe da Frada pergunta aos ouvintes o significado da palavra “voluntário”. “A necessidade de conversar sobre o assunto, ainda nos dias de hoje, se deve ao fato de muitos não saberem que as pessoas que atuam na causa animal são apenas voluntárias. Elas trabalham, estudam, têm filhos, contas para pagar e ajudam sempre que podem, geralmente em finais de semana e horários alternativos, muitas vezes com recursos próprios”, destaca Liliane.

Multiplicadores da causa

Após o esclarecimento sobre o que é “ser voluntário”, os palestrantes focam no que é a base do trabalho da Frada, a raiz do problema: abandono e castração. O objetivo é transformar os ouvintes em multiplicadores da causa. Geralmente, o resultado é imediato.

“Impossível esquecer que uma simples conversa com alunos e professores pode se transformar em grandes ações, como aconteceu na Escola Abdon Baptista, no bairro Petrópolis. Os alunos se empolgaram de tal maneira que, orientados pelos professores, fizeram uma grande ação de arrecadação de ração e até hoje ajudam os animais que aparecem nas imediações da escola. Outra palestra marcante foi a que fizemos para alunos pequenos do Colégio Bom Jesus, que chegaram tão empolgados em casa que fomos solicitados a voltar e repetir a apresentação para seus pais”, relatam Ana Rita e Liliane Lovato.

Para elas, a melhor parte das palestras é quando abrem espaço para perguntas. “Saímos das escolas, faculdades ou empresas com a certeza de ter feito um bom trabalho e de ter plantado sementes que darão muitos frutos”.

Crítica aos oportunistas

Mais uma característica de se trabalhar na raiz do problema é o envolvimento de muitas pessoas nas ações da Frada, sejam quais forem. “Mas há aquelas que não gostam de se envolver, porque é muito mais fácil tirar uma foto, publicar nas redes sociais, marcar os nomes de protetores mais conhecidos e ir para casa com a certeza de que fez alguma coisa para ajudar. Esse tipo de pensamento fez com que surgisse uma grande quantidade de oportunistas que usam a causa animal em benefício próprio. O que as pessoas querem é que o animal abandonado, em situação de maus-tratos ou machucado, seja retirado de sua frente. É isso o que oportunistas da causa têm feito”, critica Liliane.

Segundo ela, essas pessoas ainda sem consciência retiram o animal com problema das vistas de quem está incomodado, divulgam o resgate nas redes sociais com uma boa dose de drama, para comover e conseguir doações, e se aproveitam do fato de ninguém se interessar com o que acontece “depois”. Para Liliane, o resultado dessa negligência de uma grande parte da população é extremamente maléfico para os animais, que muitas vezes são colocados em condições muito piores do que as que estavam quando foram resgatados.

Liliane explica que quando a Frada envolve as pessoas em resgates ou qualquer outra ação, a entidade está dando a elas ferramentas para lidar com diversas situações e gerando multiplicadores da causa. Muitos protetores surgiram após participarem de resgates.

Envolvimento e consciência

A presidente da Frada faz um relato que mostra como uma pessoa pode mudar a forma de agir quando tem contato “de verdade” com a causa: “Uma professora relatou que ficou com muita raiva da Frada quando solicitou ajuda no resgate de um animal e a entidade pediu para ela dar um lar temporário. A professora confessou que queria apenas que o animal fosse retirado de sua frente, mas, ao se envolver, entendeu toda dificuldade que passamos e que toda e qualquer pessoa pode e deve ajudar. Após o acontecido, ela nos convidou para uma série de palestras em sua escola e hoje se intitula protetora de animais e envolve todos à sua volta sempre que necessário”.

O abandono é o final de um grande problema que se inicia no nascimento de filhotes de um animal que deveria estar castrado e protegido com sua família humana, entende Liliane. “Muitos animais são adotados ou comprados por pessoas que não castram, não cuidam adequadamente e descartam quando perdem o interesse. O resgate desses animais abandonados é sempre um sofrimento muito grande. Já tivemos muitas vezes de sair correndo, até no meio da noite, para tentar salvar uma vida”.

Resgates marcantes

Uma das muitas lembranças marcantes de resgates feitos pela Frada foi a tentativa de ajudar um cavalo atolado e abandonado por um carroceiro no bairro Boehmerwald, na zona Sul de Joinville. “Eram 11 da noite quando recebemos um pedido de ajuda para esse animal, que passou o dia todo atolado no barro de um terreno baldio. A noite estava fria e nos dirigimos até o local com uma policial da Cavalaria da Polícia Militar, já que não conseguimos encontrar um veterinário para nos acompanhar. Com a ponta de uma corda amarrada em um carro e a outra no cavalo, ele foi puxado da poça, mas continuou deitado devido à fraqueza. A policial conseguiu administrar o soro no animal, que chegou a reagir por um momento, mas acabou não resistindo e morreu horas depois”, recorda Liliane.

Outra ação que marcou a ONG foi quando, após um ano de investigação, a Frada conseguiu, com a ajuda do Ministério Público e da Polícia Ambiental, fechar um criador de fundo de quintal localizado na Estrada Rio Bonito, na área rural de Joinville. No local havia mais de cem animais em condições precárias e vítimas de maus-tratos. Alguns morreram, outros foram adotados e tratados por pessoas que se comoveram. “A grande repercussão serviu para que muita gente pudesse enxergar de onde vinham os filhotinhos bonitinhos expostos em vitrines de pet shops e anunciados em classificados”, diz Liliane.

A semente foi lançada

Dez anos de ação na causa animal de Joinville renderam aos voluntários da Frada momentos de muita emoção, mas também de questionamentos. Liliane Lovato sintetiza esse conflito: “O resgate de animais é um eterno ‘enxugar gelo’. Temos percebido que quanto mais animais são resgatados, mais as pessoas se sentem à vontade para abandonar. Às vezes bate um grande desânimo e nos perguntamos onde estamos errando e por que o abandono não diminui”.

A vereadora Ana Rita, uma das fundadoras da Frada, lembra que a entidade nasceu com uma proposta diferente: não ter abrigo, mas trabalhar na raiz do problema - abandono e castração maciça. “Resgatar o animal é o fim do problema”, sempre destaca. “Além disso, temos a preocupação de educar e conscientizar a população sobre os direitos dos animais. Nada melhor do que trabalhar com crianças esta questão, porque ela vai defender esses princípios”.

Ana Rita presidiu a Frada por seis anos. “Tinha sonhos grandes que não foram realizados. Mas em dez anos houve uma modificação muito grande em Joinville na questão animal. Mais ONGs se formaram, mais pessoas estão envolvidas na causa. Mas não para de aumentar o número de abandonos. Nosso grande sonho é não ver mais animais abandonados, testados em laboratórios, criados para consumo, para o entretenimento das pessoas. Acredito que a semente foi lançada”, afirma.

Respeito e credibilidade

Apesar do trabalho duro nesta primeira década da Frada, Liliane afirma que há muito a comemorar, sim. Segundo ela, as conquistas foram muito maiores do que as derrotas.

“Conseguimos eleger uma vereadora, a fundadora da Frada Ana Rita Negrini Hermes, que continua voluntária até hoje. Conquistamos a criação de um Centro de Bem-Estar Animal, que ainda está longe do ideal, mas continuamos batalhando por ele. Conquistamos o direito à castração gratuita financiada pela prefeitura - hoje são cerca de seis mil cirurgias por ano. Conseguimos um grande envolvimento da população e a conscientização sobre a importância da castração e da adoção responsável. E melhor de tudo foram o respeito e a credibilidade que conquistamos ao longo desses dez anos”.

Mais apoio na Cãominhada

Exemplo desse respeito junto à comunidade é que no ano passado a Frada teve a parceria da Polícia Civil na 8ª Cãominhada Educativa de Joinville. “Neste evento, as pessoas que amam animais se unem por algumas horas para chamar atenção a essa causa tão importante. Neste ano, além de nova participação da Polícia Civil e com a Faculdade Cenecista de Joinville (CNEC) na organização, a Cãominhada virá com uma novidade, o Dog Run, para cães e tutores esportistas”, adianta Liliane.

Somos todos protetores

A presidente da Frada reforça que foram dez anos muitos sofrimentos, mas também de muitas alegrias. “Procuramos sempre deixar claro que protetores são todos aqueles que gostam e se importam com os animais, basta ter atitude. Trata-se apenas de o mais forte defender o mais fraco”.

Liliane e Ana Rita parabenizam a todos que se envolveram e se envolvem de alguma forma, seja doando tempo, conhecimento, ração, dinheiro, lar temporário ou acompanhando a ONG nas redes sociais. “Somos todos protetores de animais, estamos todos à Frente de Ações pelos Direitos Animais”.

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