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  • Albertina Camilo

Gatos do Hospital Regional: Frada captura os animais para castrá-los


De um lado, há pessoas que se propõem a simplesmente eliminá-los (já houve registros de envenenamento) ou dão a ideia de fechar as entradas do local com eles dentro - o que daria no mesmo. De outro, há funcionários que tiram dinheiro do próprio bolso para comprar ração e alimentá-los diariamente.

Há mais de 20 anos, o Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, em Joinville, tem atraído a atenção dos joinvilenses para um fato que ocorre dentro de seus muros, mas repercute muito fora deles. Dezenas de gatos ferais* ocuparam o subsolo e o forro da parte dos fundos do hospital e, desde então, têm despertado os melhores e os piores sentimentos de quem é obrigado a lidar com eles. Uma situação que a Frente de Ação pelos Direitos Animais (Frada) tenta resolver.

De um lado, há pessoas que se propõem a simplesmente eliminá-los (já houve registros de envenenamento) ou dão a ideia de fechar as entradas do local com eles dentro - o que daria no mesmo. De outro, há funcionários que tiram dinheiro do próprio bolso para comprar ração e alimentá-los diariamente.

No meio desse emaranhado de sentimentos está a Frada, que continua o trabalho que deu início cinco anos atrás: o programa CED (Captura, Esteriliza e Devolve), consolidado desde 1960 nos Estados Unidos e aplicado no Canadá e em países da Europa.

Trabalho constante

A presidente da entidade, Liliane Lovato, vai quase diariamente até o local pela manhã e coloca duas armadilhas. Assim que captura os animais, leva-os para castração. No final da tarde, devolve-os ao habitat. Desde a segunda quinzena de fevereiro, quando reiniciou o programa, ela já conseguiu capturar e devolver castrados 12 felinos (balanço do dia 28 de fevereiro). É quase impossível saber o número exato de gatos existentes atualmente no local, mas deve chegar a aproximadamente 50.

"Os gatos sociáveis (filhotes, na maior parte das vezes) são encaminhados para adoção e os demais são devolvidos ao local após esterilização. Por serem ferais, durante o procedimento de esterilização também é feito um pequeno corte na orelha esquerda, para que seja possível a identificação a distância daqueles que já passaram pelo CED", explica Liliane.

"Infelizmente, esse programa é constantemente rejeitado pelo hospital, pela Vigilância Sanitária e pelo poder público, o que acaba incentivando o ciclo de retirar ou matar e ver aumentar o problema que poderia ser resolvido rapidamente", acrescenta a presidente da Frada.

Liliane afirma que no mundo inteiro há gatos vivendo nos subterrâneos de hospitais devido ao abandono e ao fácil acesso à comida. A falta de informação e de boa vontade do poder público, aliada à ação de funcionários de alguns hospitais, que tentam resolver, mas agravam o problema, faz com que as invasões a quartos e cozinhas desses estabelecimentos aumentem.

"Erros que também contribuem para o aumento da população desses animais. Gatas entram no cio de três a quatro vezes por ano a partir dos quatro meses de idade. Estando bem alimentados, podem ter ninhadas de até dez filhotes em cada cio", explica Liliane Lovato. "Quando todos estiverem castrados, bem alimentados e protegidos, a população ficará controlada e não haverá mais problemas de invasões", garante.

Controle de pragas

A presidente da Frada conta que, apesar das insistentes tentativas da direção do Hospital Regional e da Vigilância Sanitária de retirar todos os gatos do local, os animais continuam por lá já faz mais de 20 anos, conforme relatos feitos por funcionários que costumam tratá-los.

Neste período, nunca houve registro de doenças transmitidas por esses animais a seres humanos (zoonoses). Na verdade, os gatos do Regional acabam ajudando no controle de pragas como roedores, pombos e insetos.

"Com a retirada deles, o controle precisará ser feito por meio de dedetização, pois os principais causadores de problemas em hospitais são justamente insetos e roedores, que têm fácil acesso ao interior dos prédios pela rede de esgoto ou pela proteção ineficaz nas entradas de ar", alerta Liliane.

A prefeitura de Nova York (EUA), por exemplo, prefere capturar colônias de gatos ferais e realocá-los em estabelecimentos infestados, como se fossem uma espécie de "dedetização natural", ao invés de utilizar inseticidas no combate dessas pragas.

A realidade

Para a Liliane, após mais de 20 anos de "guerra" entre Hospital Regional, Vigilância Sanitária, poder público e felinos, é preciso entender que a realidade é uma só: "Não conseguirão nunca se livrar dos gatos, devido ao grande número de abandono de animais; pelo fato de o morro do Boa Vista fazer fundos com o estabelecimento, o que facilita a entrada de animais e pessoas; e pelo ambiente propício aos felinos".

Segundo ela, a única solução é a convivência pacífica. "O animal que mais transmite doenças aos seres humanos é o próprio ser humano. A toxoplasmose só é transmitida do gato para o humano caso este coma as fezes de um felino contaminado, mas é muito mais fácil contrair esta doença consumindo carnes malpassadas e frutas e verduras sem lavar", destaca Liliane.

"Pode-se dizer que a relação entre os gatos e o Hospital Regional é simbiótica. O gato, 'animal irracional', sabe há muitos anos que ao receber comida e água não tem necessidade de invadir o interior do hospital, pois prefere manter distância dos humanos. E ainda se divertem, livrando o local de pragas como roedores e insetos. Chegou a hora de os humanos, 'seres racionais', entenderem que ao aceitarem a convivência pacífica com os felinos castrados e saudáveis, oferecendo água e comida à vontade, não terão problemas com invasões ao interior do hospital e estarão sempre livres de pragas", reforça a presidente da Frada.

Doação de ração

Você pode ajudar com esta causa doando ração. Entre em contato pelo email fradadejoinville@gmail.com, facebook.com/fradajoinville e Instagram - fradajoinville.

(*Gato feral é aquele que descende de um gato domesticado, mas nasceu e cresceu longe do contato com as pessoas. Como resultado, ele retorna ao estado selvagem).

Entrevista com Liliane Lovato, presidente da Frada:

Quais os erros que o Hospital Regional está cometendo no enfrentamento do problema?

1- Proíbe as pessoas de alimentar os gatos. Isso não adianta porque as pessoas que gostam de animais vão continuar alimentando-os escondido, e gatos com fome são muito hábeis em driblar qualquer barreira que os impeçam de chegar à comida (cozinha e quartos do hospital).

2- Envenenamento. Essa atitude é criminosa e não ajuda a diminuir a população de gatos. Por razões de ordem biológica de reposição das espécies, esses lugares sempre voltarão a ser ocupados por novos indivíduos.

3- Retirar os gatos do hospital e soltá-los em outro local. Esses gatos geralmente são selvagens, por isso não são adotáveis e não poderiam ser encaminhados para um abrigo. Soltá-los em outros locais, como um sítio, sugerido inúmeras vezes pela Vigilância Sanitária, pode causar um desequilíbrio na fauna local, pois esses gatos são caçadores e vão acabar atacando e matando pequenos animais nativos. E como já foi dito, a retirada dos gatos do hospital resultará na formação de uma nova colônia.

Quais as medidas corretas para evitar que os gatos se multipliquem e parem de invadir quartos, salas e cozinhas de hospitais?

1- Em um local no terreno do hospital, distante da cozinha e dos quartos, oferecer ração e água diariamente. Se os gatos estiverem bem alimentados, eles não terão motivos para invadir a cozinha ou os quartos em busca de comida. Por serem selvagens, eles preferem manter distância dos humanos.

2- Com armadilhas e ajuda da proteção animal, todos os gatos devem ser capturados, esterilizados e devolvidos ao local. Os gatos devem ser soltos novamente no hospital para que uma nova comunidade de gatos não se forme, o que daria reinício ao problema. Gatos são territorialistas, e isso impede que novos gatos invadam o hospital. Com os felinos castrados, as fêmeas não precisarão subir no forro para terem suas crias protegidas dos felinos machos e dos lagartos, predadores naturais. Quando todos estiverem castrados, bem alimentados e protegidos, a população ficará controlada e não haverá mais problemas de invasões.

3- Deve-se passar constantemente ao redor do hospital venenos como o "Colosso", para evitar que parasitas como pulgas e carrapatos invadam o local. Os gatos, quando capturados para castração, também devem ter a saúde avaliada, além de aplicar neles um veneno adequado, como o Frontline, para evitar parasitas.

4- Deve-se fazer um programa de conscientização com os funcionários e pacientes do local sobre o abandono de animais e todos os problemas que isso causa. As pessoas precisam estar cientes de que os gatos que vivem no hospital não deveriam estar ali, mas são vítimas de ato criminoso (abandono) e foi preciso inseri-los em um programa de controle para que não se tornem um problema de saúde pública. A proteção animal pode ajudar transmitindo conhecimento e experiência do problema do abandono de animais.

Fotos e vídeos: Divulgação Frada

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